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ENTREVISTAS

Entrevista com Daniel Dantas
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Daniel Dantas (o Heitor da Novela Paraíso Tropical) está recebendo justos elogios para a sua performance, pois está demonstrando com muita intensidade valores familiares nas questões paternas por ele contracenadas. Na sua primeira visita profissional em Santa Catarina, Daniel revela ao Tanafesta numa descontraída entrevista exclusiva, a diferença entre emoções vividas e emoções interpretadas, ou emoções de trabalho como ele mesmo menciona. Confira nosso bate-papo.

1) Todo mundo sonha em ser famoso, em ser atriz ou ator, em poder ter uma oportunidade, existem muitas dificuldades até se conseguir atingir tudo isso. Como foi o início de sua carreira?
R: Eu tenho algo que por um lado seria uma vantagem e por outro uma desvantagem, eu cresci no meio de atores. Meu pai era ator, toda minha família sempre esteve ligada a arte de alguma forma, minha casa no Rio de Janeiro ia gente do tablado, que era o pessoal de teatro da época e ainda existe até hoje. Eu convivi muito neste ambiente, o que facilitou a minha entrada, não no sentido de abrir as portas, mas de já viver neste meio. Mas por um lado me dificultou, pois minha mãe já sabia das dificuldades e não era atriz, por isso ela brigou muito para não ser ator, apesar de eu ser uma pessoa culta, inteligente, instruída e de adorar teatro. A sua vontade era que eu fizesse algo que ganhasse dinheiro mais certo, mais seguro.

2) Como é o dia a dia de um ator? Se você não está nas novelas, mesmo assim a emissora continua remunerando o artista, ou é por obra?
R: Já tem alguns anos que as pessoas me tratam como um ator contratado da Rede Globo, pois eu trabalho lá com muita freqüência, mas grande parte da minha vida não fui contratado da Globo e em alguns momentos não teria sido nem vantajoso eu ficar, é melhor fazer um trabalho e outro, e outro e outro.

3) Até mesmo porque existem outras emissoras hoje que estão remunerando até melhor ao artista ou até mesmo em grandes peças de Teatro o retorno é maior, mas o que você realmente gosta de fazer?
R: Eu nunca me vi como um ator de televisão, quando comecei já tinha feito umas 10 peças de Teatro, tinha “dado uma namorada” com o cinema também, a grande verdade é que comecei minha vida profissional pensando em ser ator de cinema, a televisão foi à terceira coisa na minha vida. Para mim, não posso escolher, estando trabalhando, estou bem.

4) Certa vez o Tiago Lacerda comentou que para ele ser um ator completo, necessitava saber cantar. Você acha que necessitaria ainda de alguma coisa?
R: Eu preciso de um monte de coisa, não para ser um ator completo, pois isto a rigor não existe. Eu sei um monte de coisas que precisaria melhorar, pode ser coisas pequenas e delicadas que para mim teria um enorme efeito. Algumas até conseguiria trabalhar, outras nem tanto. Por exemplo, uma coisa que estou começando a fazer é uma produção de um grande personagem de Shakespeare, é um personagem que conheço muito, mas ainda acho que está me faltando ter uma voz mais forte para fazer ele. As pessoas me ouvem muito bem quando estou no palco, mas minha voz não combina muito com este personagem, teria que trabalhá-la, eu queria um pouco mais, são estes tipos de detalhes.

5) Qual o personagem que mais marcou a sua carreira?
R: Eu tive uma enorme sorte de ter muitos personagens que gostei de fazer, e de ter muitos personagens que foram marcantes e diferentes na minha vida. É difícil para de escolher algum.

6) Algum destes personagens você pôde identificar a sua própria personalidade?
R: Mais ou menos, na verdade quando você está em cena, seja no palco, no cinema ou na televisão, você usa uma parte de suas emoções, mas para mim é diferente, elas são mais emoções de trabalho. Quando um personagem está muito distante de você ele dá certo trabalho, por outro lado um personagem que está muito próximo de sua personalidade dá medo de mostrar, porque você se revela um pouco através dele. Eu trabalho sem pensar muito nisso. Ás vezes eu não sei se deixo em partes os personagens ficarem parecidos comigo, mas também me vejo ficar parecidos com eles.

7) E como seria fazer um papel homossexual?
R: Já fiz vários papéis destes, aliás um dos melhores personagens que já fiz na televisão foi em Malu Mulher, era um garoto que descobria que era apaixonado pelo melhor amigo, não existiu nenhuma cena deles se beijando, nenhuma cena mais íntima dos dois, mas tinha aquela problemática da situação. Foi um texto muito bem escrito e foi delicioso de fazer, tem gente que tem problema, eu nunca tive.

8) Rola algum ciúmes entre os casais artistas ao verem seu companheiro(a) contracenando com cenas picantes e com beijos na televisão?
R: Cansei de ver minha mulher beijando, para mim não existe problema algum. Acredito que em cena você tem um determinado tipo de emoção. Não é impossível que você se apaixone por uma pessoa com quem faz um par romântico. É possível, mas, provavelmente não vai ser pelo o que acontece em cena, mas, pelo que acontece nos bastidores, pelas conversas, pelo convívio, a coisa de cena é uma emoção de trabalho, completamente diferente.

9) E a história do beijo técnico, é verídica então?
R: Eu acho que os beijos técnicos têm que ser um pouco de verdade, mas parcialmente, mas também na vida é bom que os beijos de verdade tenham um pouco de técnica, fica muito melhor você não acha?? ( risos )

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